7 de Agosto de 2008

Frase do dia

“Mitologia é o nome que damos às religiões dos outros.”
Joseph Campbell

TOY ART - Últimos dias!

Últimos dias para conhecer a Exposição Toy Art Mani, no SESC Avenida Paulista. A exposição fica até o próximo dia 10 e é grátis. Corra que ainda dá tempo.
Além dos nossos bonecos exclusivos, ainda tem muita coisa interessante para conhecer.
Aproveitando, quem quiser adquirir nossos TOYs, pode entrar em www.orbemidia.com/my ou em www.elo7.com.br/my







Dica Cultural: Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (File)

Dica cultural imperdível!

File prioriza jogos e cinema em sua 9ª edição em São Paulo

ADRIANA TERRA
Colaboração para o UOL


A nona edição do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (File), que acontece de 5 a 31 de agosto em São Paulo, privilegia os jogos eletrônicos e o cinema digital, responsável pelo nome desta edição do evento, "File 2008 Milhões de Pixels" -- referência aos 8 milhões de pixels por frame de resolução da tecnologia 4k.

"Os braços do festival este ano são os games, tanto na área de instalações quanto dentro dos computadores", explica Paula Perissinoto, uma das organizadoras do evento.

Entre o que a organização do evento classifica como "instalações-games", ou as instalações que se assemelham a jogos -- ou de fato são -- destacam-se "Levelhead", do espanhol Julian Oliver, e "Full Body Games", dos norte-americanos Jonah Warren e Steven Sanborn, ambas totalmente dependentes da interatividade do público, como é boa parte do festival.

O primeiro consiste em três cubos plásticos que, ao serem manuseados, funcionam como salas virtuais projetadas em uma tela à frente do espectador. Dentro desses ambientes há um personagem que se movimenta pelas salas, ou pelos cubos, com a meta de encontrar a porta que liga um espaço a outro. "Acho que é mais um game do que arte, meu maior interesse foi relacionar o que você faz com sua mão com o que aparece na tela", explica o espanhol Oliver.

Já "Full Body Games", dos nova-iorquinos Jonah e Steven, é um jogo virtual em que são usados movimentos do corpo para desviar de obstáculos (veja demonstração no vídeo acima), ao estilo de jogos como o da série "Mario Bros".

Entre os games mais usuais, ou os que ficam apenas "dentro dos computadores", há trabalhos premiados pela Abragames, entidade que promove a indústria brasileira no desenvolvimento de jogos eletrônicos.

Natureza robótica
O espaço destinado às instalações do File recebe ainda um "jardim" de plantas que produzem som ao serem tocadas, trabalho dos argentinos Ivan Ivanoff e José Jiménez, que assinam respectivamente como i2off.org e r3nder.net. "Transformamos plantas em robôs", diz Jiménez.

Em "Phantasm", do japonês Takahiro Matsuo, uma esfera, ao ser colocada na palma da mão do espectador, provoca a "criação de um mundo de fantasia", como define Matsuo. A magia apontada consiste na iluminação de uma área ao redor do visitante e na aparição de borboletas virtuais, projetadas em uma tela ao som de melodia de piano.

Fora do espaço expositivo, o destaque é a atuação do grupo Graffiti Research Lab, de Nova York. Com uma caneta a laser eles devem marcar prédios pela cidade de São Paulo durante a primeira semana do festival. Na abertura do evento, na noite da última segunda-feira (4), o prédio do Sesi recebia 'tags' - assinaturas em letras cursivas, geralmente de difícil identificação, originárias do grafite -- de alguns artistas do grupo.

Cinema digital
Na área de cinema, o maior destaque do evento é a exibição de 14 projetos feitos com a chamada tecnologia 4k, capaz produzir uma imagem 24 vezes mais definida que a do aparelho de televisão tradicional. "Mostramos experiências feitas com essa nova tecnologia, que tem sido estudada para ser o futuro do cinema hollywoodiano", conta Paula.


Já no Hipersônica -- seção musical do File que destaca experimentações sonoras e pela qual já passaram o DJ Spooky e o catalão Marcel.lí Antúnez Roca em edições anteriores- -- apresentam-se o austríacos Bernhard Gal e os brasileiros Luiz duVa e Wilson Sukorski.

O festival abriga ainda uma retrospectiva do artista digital austríaco Zeiko Wiener (1953 - 2006), que em 1999 desenvolveu, ao lado de Ursula Hentschläger, o website www.zeitgenossen.com, uma plataforma independente para arte e pesquisa.

As instalações do File, como "Full Body" e "Phantasm", podem ser visitadas de 5 a 31 de agosto, enquanto demais atrações ocorrem de terça (5) até quinta-feira (8).

Toda a programação tem entrada grátis. Veja mais detalhes no site oficial do evento.

Fox censura episódio de 'Os Simpsons' sobre o governo Perón

Vejam que absurdo essa notícia! Quem disse que vivemos num mundo com livre?

A Fox decidiu que não exibirá em nenhum país da América Latina, inclusive aqui no Brasil, o episódio de Os Simpsons que satiriza o governo Perón, da Argentina, informa a coluna Zapping do jornal Agora.

A Fox diz, por meio de sua assessoria, que a decisão foi tomada porque pessoas ligadas aos desaparecidos no governo militar argentino podem se ofender com as piadas.

Esta é uma decisão inédita da Fox. A emissora deixará de exibir um episódio da série pela primeira vez.

O capítulo entitulado E. Pluribus Wiggum foi ao ar nos Estados Unidos no dia 6 de janeiro.

A polêmica é causada pelo diálogo entre os personagens Carl e Lenny. Em uma discussão no bar sobre os males da democracia, Carl diz: "eu realmente gostaria de uma ditadura militar como a de Juan Perón. Quando ele desaparecia com você, você permanecia desaparecido". E Lenny retruca: "e ele ainda era casado com a Madonna".

Fonte: Redação Terra

Obviamente, os imbecis da Fox se esqueceram da maior invenção da história da humanidade chamada Youtube:



Vejam também o vídeo do CQC argentino sobre o fato:

Jornalismo Verdade - Animação

Um programa jornalístico que não tem meias palavras.Fantástica animação de Balão Vilela.


6 de Agosto de 2008

Frase do dia

“Qualquer coisa estúpida demais para se dizer é dita.”
Voltaire

Tudo sobre Luis Buñuel

Estou republicando esse post que saiu no site makingoff. Como ele é fechado para assinantes, achei que não era justo não compartilhar com vocês artigo tão completo sobre o maior diretor de todos os tempos.

Luis Buñuel
(Calanda, 22 de Fevereiro de 1900 — Cidade do México, 29 de Julho de 1983)

RESUMO

Luis Buñuel foi um realizador de cinema espanhol, nacionalizado mexicano[1]. Trabalhou com Salvador Dalí, de quem sofreu fortes influências na sua obra surrealista.

A obra cinematográfica de Buñuel, aclamada pela crítica mas sempre cercada por uma aura de escândalo, tornou-o um dos mais controversos cineastas do mundo, sempre fiel a si mesmo. Buñuel também influenciou fortemente a carreira do realizador conterrâneo Pedro Almodovar.

BIOGRAFIA

Infância e juventude
Luis Buñuel Portolés nasceu ao meio-dia de 22 de Fevereiro de 1900[2], na aldeia de Calanda, Teruel, Espanha. Era filho de Leonardo Buñuel González, um señorito [3] e proprietário abastado que fizera fortuna em Cuba com um negócio de ferragens, e de María Portolés Cerezuela, "a rapariga mais bonita e saudável da aldeia". Pouco depois, a família estabeleceu a sua residência em Saragoça, e só ia a Calanda durante a Semana Santa e nas férias de Verão. Luis era o mais velho de sete irmãos e irmãs, com quem teve uma infância feliz, saudável e despreocupada, em contacto com a rica natureza campestre da sua terra. Teve, desde cedo, uma grande sensibilidade em relação ao inusual e ao extraordinário, e facilmente se encantava com animais, plantas e fenómenos naturais, que observava atentamente, imbuído de uma religiosidade pagã. Foi também na infância que adquiriu um enorme fascínio pela morte, quando inadvertidamente, deparou com um burro putrefacto numa valeta.

Em 1908 viu o seu primeiro filme num cinema de Saragoça. Estudou num colégio de Jesuítas, cuja influência se faria sentir para o resto da sua vida[4]. Com a adolescência, perdeu a fé, tornando-se anti-clerical e ateu, e, em 1915, foi expulso do colégio, tendo terminado os seus estudos secundários no Instituto de Saragoça.

Anos em Madrid
Em 1917, Buñuel foi estudar para Madrid, instalando-se na prestigiada e elitista Residencia de Estudiantes, onde permaneceria até Janeiro de 1925. Aí conheceu várias luminárias das letras, artes e ciências espanholas e internacionais e conviveu com muitos daqueles que fizeram parte da famosa Geração de 27, tomando conhecimento das vanguardas artísticas e literárias da época — cubismo, dadaísmo e surrealismo. Foi também na Residencia que se tornou grande amigo de três camaradas e companheiros de boémia que tiveram nele (e em quem ele teve) uma influência fundamental: Pepín Bello, Federico García Lorca e Salvador Dalí. Nesses anos, Buñuel tornou-se um fanático da cultura física e do atletismo. Frequentava além disso, os cafés de Madrid e as suas tertúlias, bem assim como os seus bordéis.

Em 1920, fundou o primeiro cineclube espanhol. Em 1921, participou na representação teatral de Don Juan Tenorio, de Zorrilla, em Toledo. Em 1922, publica os primeiros textos literários, influenciados por Ramón Gómez de la Serna. Em 1924, depois de ter frequentado, sem grande convicção, vários cursos universitários, acabou por se licenciar em História.

Paris e o surrealismo
Em 1925, foi viver em Paris, onde estudou cinema e trabalhou como assistente de vários realizadores entre os quais Jean Epstein. Conhece Jeanne Rucar, sua futura mulher, com quem se casará em 1934.

Em Janeiro de 1929, Buñuel e Dalí, utilizando o método surrealista do "cadáver esquisito" escrevem o guião do filme que acabaria por ter o título de Un chien andalou (Um cão andaluz). Apesar dos desmentidos, com a sua panóplia de private jokes e sub-entendidos, o filme era um subtil mas evidente ataque a García Lorca[5], de quem se haviam afastado, em parte porque Buñuel (machista assumido) tinha aversão à homossexualidade do poeta, tendo envidado todos os seus esforços para contrariar e sabotar a amizade amorosa que ligava aquele a um complacente Dalí. Buñuel roda-o em quinze dias durante a Primavera sendo estreado a 6 de Junho em Paris, perante a nata da sociedade e da intelectualidade francesa. O filme foi um sucesso e um escândalo e durante várias meses esteve em cartaz no Studio 28. Toda a imagética surrealista (burros podres dentro de pianos de cauda, mãos cortadas, metamorfoses visuais, etc.) criara sensação e espanto. Buñuel refere que a cena inicial da navalha a cortar um globo ocular provocava desmaios na plateia, tendo mesmo chegado a ocasionar um aborto numa espectadora. A dupla é prontamente admitida no grupo surrealista de André Breton, passando a frequentar as suas reuniões semanais e a cumprir escrupulosamente os seus ditames.

No Verão de 1929, Buñuel e Dalí estão em Cadaqués a preparar um novo filme, L'Âge d'Or, subsidiado pelo visconde de Noailles. Mas a sua colaboração e amizade são depressa ensombradas pelo aparecimento de Gala Éluard, por quem Dalí se deixa enfeitiçar e influenciar totalmente. Por outro lado, a antipatia entre Buñuel e a ciumenta e intriguista Gala é instantânea e mútua, chegando aquele ao ponto, de num acesso de cólera, a tentar estrangular. Buñuel regressa a Paris onde acaba o guião e roda o filme (sem dar crédito à colaboração de Dalí), fortemente anti-clerical. Uma vez exibido, cria um enorme escândalo junto da extrema-direita francesa (a sala de cinema é atacada) e da burguesia parisiense (o visconde de Noailles foi ostracizado).

Nessas obras emblemáticas estavam patentes de forma concentrada e intensíssima todos os temas básicos que a sua obra posterior continuaria a reflectir mais discretamente, mas com igual poder: o amor louco, o anti-clericalismo, a rebeldia e inconformismo diante do estabelecido e do convencional, uma ânsia de transcendência, expressos em imagens oníricas e alucinantes, cheias de dureza, de corrosivo humor negro e de uma candura embriagante.

En 1930 viajou a Hollywood, contratado pela Metro Goldwyn Mayer como «observador», com o objectivo de se familiarizar com o sistema de produção norte-americano. Conheceu Charles Chaplin e Serguei Eisenstein.

Las Hurdes
Buñuel voltou a Espanha após a proclamação da República e financiado pelo seu amigo anarquista Ramon Acín, dirigiu, em 1933, um documentário, Las Hurdes, tierra sin pan, que descrevia, de modo cru, a vida quotidiana e os costumes ancestrais de uma recôndita aldeia espanhola da Extremadura, profundamente miserável e em estado quase selvagem. As imagens e os factos descritos eram tão extraordinários e irreais, que acabariam por dar ao filme um cunho verdadeiramente surrealista. Foi um escândalo, desagradando ao governo (esquerdista) espanhol que o proibiu para grande desapontamento de Buñuel, por dar uma imagem corrompida da Espanha no estrangeiro.

Exílio na América
No decurso da guerra civil espanhola exilou-se na França, partindo em 1938 para os EUA, estabelecendo-se em Los Angeles. Em 1941 vai trabalhar como conselheiro e chefe de montagem para o Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque. Contudo, a publicação em 1942 d'A vida secreta de Salvador Dalí, onde Dalí fala do caso de L'Âge d'Or e expõe as simpatias comunistas de Buñuel, causa um pequeno escândalo e faz com que este tenha de se demitir do MoMA em 1943. Buñuel confronta Dalí e pede-lhe um empréstimo de 50 dólares que o outro, obediente a Gala, recusa por carta, em que simultaneamente faz o elogio de Franco e das virtudes da Igreja Católica. Buñuel jamais lhe perdoará a traição e a mesquinhez. Em 1946, depois de ter estado em Hollywood, acaba por partir para o México.

México
No início da sua fase mexicana realizou filmes comerciais, que nada tinham a ver com os seus interesses mais profundos. Mas, em 1950 recupera a sua autenticidade com Los Olvidados, sobre a vida violenta e dura dos meninos de rua na Cidade do México, onde discretamente insere elementos surrealistas, sendo muito aplaudido pela crítica. Seguem-se Subida al Cielo (1951); o exasperante Susana (1951), sobre uma criada pérfida e intriguista; El Bruto (1952); o espantoso (e muito autobiográfico) Él (1952), sobre um señorito paranóico e louco de ciúmes (com alguma razão...); Robinson Crusoe (1953); Abismos de Pasión (1953), a sua versão de O Monte dos Vendavais); Ensayo de un Crimen (1955); Nazarín (1958), sobre uma novela de Galdós, onde insere elementos anti-clericais e que foi premiado em Cannes.

Viridiana
Em 1960, sob as críticas de outros exilados republicanos, regressou à Espanha para realizar Viridiana. O filme, cuja rodagem o governo de Franco aceitou ingenuamente subsidiar e promover no Festival de Cannes, sem que algum dos responsáveis o tivesse visionado, acabou por se revelar uma paródia impiedosa dos conceitos habituais de caridade e virtude cristãs. Ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes e depressa causou um enorme escândalo na Espanha, onde foi proibido. Buñuel vingara-se, assim, de Franco de forma absolutamente imprevisível. Apesar do sucedido, Buñuel não foi perseguido pessoalmente na Espanha, onde tinha uma segunda residência.

Regresso a França
O sucesso internacional de Viridiana fez com que os europeus se interessassem pelo já esquecido Buñuel. Depois de filmar no México, El ángel exterminador (1962; O anjo exterminador) e Simón del Desierto (1965), passou a só filmar na França. Ao contrário dos seus produtores mexicanos, o produtor Serge Silberman dava-lhe total liberdade de acção. Teve também a preciosa colaboração do argumentista Jean-Claude Carrière, co-autor de todos os guiões que filmaria na França.

Em 1964, foi produzida a sua adaptação do romance de Octave Mirbeau, Journal d'une femme de chambre, onde Buñuel transporta para a década de 1930 a atmosfera decadente da história, em que uma criada de quarto (Jeanne Moreau) se submete aos caprichos fetichistas, mas inofensivos, do patrão velho (doido por botinas), e resiste tenazmente ao assédio sexual do exasperado patrão novo (Michel Piccoli), acabando por se casar com um criado pedófilo, assassino e reaccionário.

Segue-se Belle de jour (1967; A bela da tarde), segundo uma história de Joseph Kessel, em que uma jovem burguesa (Catherine Deneuve), muito frígida com o marido, se prostitui desavergonhadamente numa discreta casa de passe, dando rédea solta às suas fantasias masoquistas. Nessa ocasião, Dalí enviou-lhe um telegrama a propor-lhe uma sequência de Um Cão Andaluz. Buñuel respondeu-lhe: "Águas passadas não movem moinhos."

Em 1969, filma La Voie Lactée (A Via Láctea, tb. O estranho caminho de São Tiago), relato da peregrinação de dois vagabundos franceses a Santiago de Compostela, onde Buñuel evoca a sua paixão pelo romance pícaro espanhol e onde reflecte ironicamente sobre o cristianismo e as suas múltiplas heresias.

Em 1970 Buñuel voltou à Espanha e à sua amada Toledo para filmar Tristana (Tristana, Amor Perverso), segundo um romance de Benito Pérez Galdós, em que um velho señorito (Fernando Rey) com fumaças de anti-clerical e livre-pensador, seduz a sua ingénua pupila (Catherine Deneuve), vindo mais tarde a cair nas mãos dela, que não deixa de se vingar.

Em 1972, filma Le Charme Discret de la Bourgeoisie (O Discreto Charme da Burguesia), onde a alienação, a arrogância, a falta de escrúpulos, a desonestidade e a amoralidade da burguesia são objecto do seu humor negro. Buñuel introduz no filme pequenos apontamentos e historietas de carácter saborosamente surrealista e onírico. O filme ganharia o Óscar para o Melhor Filme Estrangeiro.

Em 1974, filma Le fantôme de la liberté, conjunto de historietas e episódios puramente surrealistas, que se vão sucedendo à maneira de um sonho.

Por fim, em 1976, roda Cet obscur object du désir, adaptação muito livre de La femme et le pantin de Pierre Louÿs, em que um homem maduro é manipulado e frustrado por uma jovem e desejável mulher, que o atraiçoa.

Últimos anos
Depois de ter filmado Cet obscur object du désir, Buñuel retirou-se. Estava cada vez mais surdo e a saúde começava a faltar-lhe. Sempre fora um grande bebedor e fumador [6], e apesar da sua enorme resistência, começou a sofrer de diabetes e de cancro do fígado.

Em Novembro de 1982, o também muito combalido Dalí (Gala morrera em Junho desse ano), voltou ao ataque, enviando-lhe a seguinte mensagem:

"Querido Buñuel: de dez em dez anos envio-te uma carta com a qual não estás de acordo, mas eu insisto. Esta noite concebi um filme que podemos fazer em dez dias, não a propósito do demónio filosófico, mas do nosso diabolinho. Se te apetecer, vem ver-me ao castelo de Púbol. Um abraço: Dalí".

Resposta de Buñuel:

"Recebi os teus dois telegramas. Fantástica a ideia do filme, mas retirei-me do cinema há cinco anos e quase não saio de casa. É uma pena. Um abraço: Buñuel".

Em 1983 publicou a sua excelente autobiografia, Mon Dernier Soupir (O meu último suspiro)[7], na qual, já próximo da morte, reafirma as suas convicções. À semelhança do personagem Don Lope (o señorito ateu de Tristana), nos últimos anos da sua vida Buñuel, apesar de se declarar ateu, aproximou-se da Igreja, e um dos seus melhores amigos era um padre com quem frequentemente discorria sobre teologia e os mistérios da fé.

Morreu na Cidade do México em 29 de Julho de 1983 e, conforme os seus desejos, foi cremado e as suas cinzas dispersas.
Filmografia

FILMOGRAFIA

Direção:
Esse Obscuro Objeto do Desejo / Cet Obscur Objet du Désir (1977)
O Fantasma da Liberdade / Le Fantôme de la Liberté (1974)
O Discreto Charme da Burguesia / Le Charme Discret de la Bourgeoisie (1972)
Tristana (1970)
A Via Láctea - O Estranho Caminho de São Tiago / La Voie Lactée (1969)
A Bela da Tarde / Belle de jour (1967)
Simão do Deserto / Simón del Desierto (1965)
O Diário de uma Camareira / Le Journal d'une Femme de Chambre (1964)
O Anjo Exterminador / El Ángel Exterminador (1962)
Viridiana (1961)
A Jovem / Joven (1960)
Os Ambiciosos / La Fièvre Monte à El Pao (1959)
Nazarín (1958)
A Aurora / Cela S'Appelle L'Aurore (1956)
A Morte no Jardim / La Mort En Ce Jardin (1956)
Ensaio de um Crime / Ensayo de un Crimen (1955)
El Río y la Muerte (1954/5)
Robinson Crusoe (1953/4)
Escravos do Rancor / Abismos de Pasión (1953/4)
A Ilusão Viaja de Trem / La Ilusión Viaja en Tranvía (1953/4)
O Alucinado / El (1952/3)
El Bruto (1952/3)
Subida ao Céu / Subida al Cielo (1951/2)
Una Mujer Sin Amor (1951/2)
La Hija del Engaño (1951)
Susana (1951)
Os Esquecidos / Los Olvidados (1950)
El Gran Calavera (1949)
Gran Casino – Tampico (1947)
Terra Sem Pão / Las Hurdes (1933)
A Idade do Ouro / L'Âge d'Or (1930)
Um Cão Andaluz / Un Chien Andalou (1928/9)

Co-direção:
¡Centinela, Alerta! (1937)
¿Quién Me Quiere a Mí? (1936)

FOTOS

FONTES: Makingoff, Wikipedia, IMDB e Centenário de Buñuel

5 de Agosto de 2008

ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO – Crítica de Dimitri Kozma

Primeiramente, antes de qualquer coisa, quero dizer que sou um dos maiores fãs do trabalho de José Mojica Marins. Aprecio quase todos os seus filmes, principalmente, claro, os dos anos 60 e começo dos 70. Depois disso, sua carreira se estagnou e Mojica virou um arremedo dele mesmo, se fundindo com o personagem e tornando-se uma caricatura cômica, fato que se consolidou ao ser apresentado a nova geração pelo extinto Cine-Trash. Ou seja, divido a carreira do personagem Zé do Caixão em duas fases, a séria e a circo.

Sempre o admirei, por meu apreço ao cinema de terror que Mojica produziu em sua fase dourada e com a esperança de vê-lo de volta ao seu lugar de destaque no gênero e sendo levado a sério.

Esta semana finalmente assisti ao esperado desfecho da trilogia que aguardava quase 40 anos para ser finalizada e foi como levar uma paulada na moleira.
Voltei do cinema, uma pré-estréia de sábado em seção iniciada a meia-noite, em estado um tanto catatônico, e com a opinião um pouco dividida. Ainda estou digerindo o que vi, mas vou tentar descrever.

O filme tem seus altos e baixos, sem dúvida é obrigatório, um passeio de trem-fantasma, uma deliciosa experiência, mesmo em seus momentos baixos, o filme acaba com aquela sensação de “quero mais”, acho que isso já vale, não?

O roteiro, escrito por Dennison Ramalho, sobre o original de José Mojica é intrigante. O que mais me chamou a atenção é a forma como é respeitoso com os 2 filmes anteriores, ou seja, segue fielmente a mitologia do personagem Zé do Caixão, com flash backs, cenas recriadas, personagens citados, etc. Quem assistiu aos outros 2 filmes, vai aproveitar muito mais a experiência. O personagem é sempre respeitado, e a violência parece que não é contida em nenhum momento.

Tem suas falhas? Sim... Ele abusa fartamente de alguns clichês em alguns momentos, e isso me incomodou um pouco, mas desde os filmes originais, sempre houve uma certa antropofagia de elementos, ou seja, eles são devorados e recriados, então isso não prejudica a experiência. O clichê máximo do fiel assistente corcunda Bruno, por exemplo, já existia no segundo filme.

Também achei que o filme poderia ser mais ousado, parece um tanto contido em alguns momentos, poderia trabalhar com um pouco mais com a crítica social, que está presente, mas em menor escala, crítica que Mojica já fez, por exemplo, no clássico “O Despertar da Besta” de 1969. Por exemplo, porque não mostrar o período de Zé do Caixão na cadeia, com filas de candidatas a mulheres perfeitas o visitando, numa analogia ao Maníaco do Parque, Francisco de Assis Pereira, que depois de matar e devorar dezenas de mulheres recebeu inúmeras visitas na cadeia de damas querendo casar com o serial killer. As possibilidades eram inúmeras, mas o filme aposta no bom e velho arroz com feijão. Mas mesmo assim é delicioso, muito bem temperado! Nada tirou meu prazer de assistir a este filme tão aguardado.

Outro fato interessante são as homenagens que o filme presta, pude reconhecer diversos rostos e nomes que estiveram de alguma forma presentes na carreira ou na vida de Mojica, como o seu fiel ajudante e segurança dos anos 70, Satã, por exemplo.

Visualmente não há o que falar, ele é impecável, a fotografia e direção de arte estão irrepreensíveis. Padrão internacional, o que prova que nossos profissionais, quando tem verba, nada devem aos lá de fora.

Talvez o maior problema do filme do Mojica tenha a ver com o fato de o próprio Mojica ter mudado muito durante estes anos, sua superexposição na mídia como o simpático velhinho que joga pragas acabou desgastando um pouco a imagem aquele sádico dos anos 60 e hoje não mete tanto medo assim. Como Paulo Sacramento fez a produção e Ramalho fez a assistência de direção, imagino que deva ter sido bastante difícil convencer o Mojica de alguma coisa, já participei de um curta com ele e sei como é difícil lidar com o dito cujo.

Outra coisa que me incomodou foi a atuação de Milhem Cortaz, que faz um padre masoquista e psicopata. Exagerado ao extremo, provavelmente tenha sido esta a intenção, mas para mim não funcionou muito bem, virou um alívio cômico ao filme. Pude ouvir risadas em várias falas dele. A atuação dele, que é um bom ator, ficou forçada e caricata.

A morte de Jesse Valadão durante as filmagens não comprometeu o filme, criaram um “irmão-clone” para substituí-lo. Com certeza perdeu um pouco, mas nada grave. Para quem sabe do ocorrido, vai perceber alguns furos e “soluções mágicas”. Poderiam ser um pouco melhor trabalhadas as cenas dele e a relação com o irmão recém criado, com pelo menos um diálogo entre ele e o irmão, que poderia ter sido facilmente editado a partir de uma cena já filmada, na cena da delegacia, por exemplo. De qualquer forma, a solução que fizeram funcionou na medida do possível.

O ponto alto do filme, o gore, violência sádica e sem restrições, está ali, em todas as cores e luzes, e está ótima! Com efeitos especiais de primeira, as cenas de tortura ficaram muito boas, tirando um ou outro corte antes da hora, o filme não tem medo de mostrar nem chocar. Ponto positivo.

O tão falado purgatório com José Celso Martinez Corrêa ficou bem interessante, principalmente a forma que Zé do Caixão foi até lá, numa cena onírica e plasticamente bonita. Não gostei muito do CGI do céu, me pareceu um pouco falso, mas acho que cumpriu seu papel. A atuação de Zé Celso deixou um pouco a desejar, com aqueles trejeitos característicos da afetação do diretor de teatro, mas para um personagem sobrenatural até que funcionou bem, também imagino o inferno que deve ter sido dirigir o fulano, avesso a hierarquia.

Outro ponto positivo, os fantasmas do passado. Nos anos 60, Mojica nos mostrou o inferno em cores em um filme preto e branco. Em Encarnação do Demônio é ao contrário, os fantasmas aparecem em preto e branco, e estão geralmente acompanhados de um flash back dos filmes antigos. Muito bem feito e original. Tenho muito mais para falar, mas não quero estragar a experiência de ninguém ao entrar na sala escura para assistir a esta pérola, então, ficarei por aqui.

Gostei do final, achei bem resolvido e concluiu a trilogia de forma digna. Ainda irei assistir a este filme muitas vezes, e provavelmente terei outras leituras. Mesmo com seus problemas, o filme é um marco no cinema nacional e abre portas a este gênero tão marginalizado.
Mojica e equipe, parabéns! Vocês escreveram com sangue uma maravilhosa página na história do cinema! Que venha mais!

Frase do dia

“Não tenho medo das perguntas difíceis: tenho pavor das respostas fáceis.”
Alexander Malcot

Tour Sala de Aula Virtual 3D - Cenpec - Educarede

Um trabalho meu de portfolio que agora publico aqui. Fiz este job para a Fundação Educarrede - Cenpec e faz parte de um vídeo institucional sobre a internet. Abaixo publico o cenário virtual que criei. Se interessar a vocês, coloco um trecho do vídeo no futuro.

The Last Guy - Game com Google Maps

Interessante este game (para Playstation) criado usando o Gloogle Map, ligeiramente tosco, mas com uma idéia original.
Caso queira ver o vídeo em maior resolução, clique aqui.

Inocente ou Culpado

Salve!
Eu juro que tentei evitar este tema, mas...
Num País onde político com a ficha suja, pode se candidatar a prefeito de SP, baseado (opa!) em um artigo da Lei (não me lembro o nº do Artigo) que diz que TODOS são inocentes até que se PROVEM o Contrário.
Com base neste artigo, se uma pessoa comum, sim pois os políticos não se acham pessoas comuns, caso tivesse esperando julgamento poderia prestar concurso público, mas isso não acontece.
Num País onde bom senso não existe, proibiram propaganda de Cigarros, depois não contentes proibiram qualquer menção direta ou indireta ao cigarro (exemplo: Acabaram com o Free Jazz Festival). Agora Aprovam uma Lei de que é proibido fumar Cigarros e Charutos em áreas abertas e reservadas à fumantes, quer dizer que eu que fumo charutos, não poderei mais curtir um fim de semana no parque, assistir ao por do sol e ainda por cima fumar um charuto? bom pelo menos me restam as tabacarias. Viva a Argentina que em qualquer café vc pode degustar um bom cappuccino e degustar um puro sem ser olhado com um criminoso
E o que dizer da Lei Seca?!?
Onde uma pessoa Adulta e Responsavel, que tinha como costume sair do escritório (a famosa Happy Hour) tomar um chopp com os amigos, não poderá mais fazê-lo transformaram a happy hour em uma chatice. Sair com os Amigos e tomar uma cervejinha, já era. Jantar com sua companheira e pedir uma garrafa de Vinho, não pode.
Como diz aquela musica do Roberto Carlos: Tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda.
Só pra concluir. A lei também diz que você não é obrigado a fornecer provas contra você [ou seja você não é obrigado a fazer o teste do bafometro], afinal quem acusa tem que provar, lembre-se você é inocente até provarem o contrário. E se a "Otoridade" te levar a delegacia, pode ir, lembre-se que eles não tem prova contra você e portando você só pode ficar na delegacia por uma hora apenas. (isso tudo está na Lei Brasileira)
That's All Folks

4 de Agosto de 2008

TOY ART MY - Agora em nova loja virtual!

O pessoal tem perguntado, então vamos fazer um anúncio básico para quem quer comprar nossos Toys e procura outras formas de pagamento para facilitar, eles estão disponíveis para a venda também no site www.elo7.com.br/my.
Também continuam a ser vendidos no site da MY (www.orbemidia.com/my), caso prefiram.

O endereço do e-commerce: www.elo7.com.br/my

LEÕES ALADOS - Poesia de Dimitri Kozma

Depois que os leões alados partiram
Senti que poderia vê-los
Estavam sobrevoando as montanhas geladas
Atráz do inimigo

Seu sangue borbulhava
Sua alma gemia em dor
era ele quem matava,
o Traidor...

Venha, vamos juntos
Caminhar de mãos dadas
Sob o olhar acusador da lua
Sob a Tempestade

Agora os leões alados voltam
não há mais perigo
Pois um deles tráz em suas presas
A cabeça do Inimigo

Dimitri Jr.
1995

Bizarrice nostálgica - Viva a Noite!

Bizarrice do dia. Viva Noite, apresentado no SBesTeira pelo inominável Gugu Liberato, em que todos os sábados a noite durante os anos 80 (e começo dos 90) ele despejava em nossas cabeças uma lata de lixo, que caía na sala de estar do "papai, da mamãe e da familia brasileira"...

Wilza Carla de biquíni no Viva a Noite - 1984


Menudo no Viva a Noite - Não Se Reprima - 1984


Sharon, a rival loura de Gretchen nos anos 80 e intérprete de "Massagem for Men", entra na piscina do "Viva a Noite" num "Sonho Maluco".


Fã pede para lamber Sergio Mallandro com glacê no Sonho Maluco.


Bota Talquinho - Gugu Carnaval 1987 - SBT


Sonho Maluco com Clóvis Bornay no Viva a Noite


Melhores (???) Momentos do Sonho Maluco


Como bônus, aqui vai uma cena clássica da novela Saramandaia (1976): A explosão de Dona Redonda. Não tem relação com o sonho maluco, mas tem a Wilza Carla.

Programa O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO

Mais alguns novos programas apresentados por José Mojica Marins no Canal Brasil. Falando em Zé, esse fim de semana assisti a pré-estréia de Encarnação do Demônio! Se quiserem, falo sobre ele aqui no blog, mas posso adiantar que o filme é diferente de tudo que o cinema brasileiro já fez.

Entrevista João Gordo







Entrevista Marcelo Nova







Entrevista NX-Zero (bandinha EMO para criancinhas débeis mentais)